BARATAS: MITOS E VERDADES

Aos olhos da biologia, as baratas são organismos fascinantes. Já foram muito estudadas, mas, ainda existem muitas dúvidas sobre elas, pelo menos, nas salas de aula. É afirmado que podem sobreviver sem cabeça, se adaptam rapidamente a condições ambientais desfavoráveis, podem se reproduzir sem machos, seriam resistentes a radiação nuclear, podem sobreviver sem respirar ... O que é verdade ou mito e como estes assuntos podem aparecer nas questões de vestibulares?

 

As baratas se reproduzem sem machos?

 

Verdade parcial. A forma mais comum de reprodução nas baratas é a sexuada, onde, machos fecundam internamente as fêmeas, produzindo ovos que formam ninfas (larvas sem asas), tratando-se, portanto, de insetos hemimetábolos (com metamorfose completa). Porém, sob condições de ausência de machos, podem se reproduzir a partir de óvulos não fecundados, um processo de reprodução assexuado chamada partenogênese.

 

As baratas se adaptam rapidamente?

 

Verdade. As baratas são organismos muito férteis, produzindo grande quantidade de descendentes a cada geração. Como, geralmente, realizam reprodução sexuada, há variabilidade genética nas populações, matéria-prima para a ação da seleção natural, que favorece a sobrevivência dos mais aptos. Isto, tem sido um problema para o homem, pois, as baratas tem se adaptado rapidamente a muitos inseticidas.

 

As baratas podem ficar sem respirar?

 

Verdade parcial. As baratas são animais de metabolismo aeróbico, pois, necessitam do gás oxigênio no processo de produção de energia. O exoesqueleto quitinoso das baratas, assim como o de todos os insetos, é impermeável, impedindo a entrada do gás oxigênio. Porém, há alguns orifícios no exoesqueleto, chamados de espiráculos, que quando abertos, permitem a entrada de ar, que flui por tubos chamados traqueias (sistema traqueal) até as células, sem passar pelo sistema circulatório. Quando submetidas a desidratação, as baratas podem, temporariamente, fechar os espiráculos  por alguns minutos, reduzido a perda de água. Acredita-se que este processo, também possa ocorrer quando as baratas encontram substâncias tóxicas no ar, uma explicação de porque as baratas as vezes resistem a aplicação de inseticidas.

 

As baratas contribuem para o efeito estufa?

 

Verdade. Assim como outros insetos, como os cupins, as baratas são grandes emissores de gás metano, um potente gás do efeito estufa, que retém cerca de vinte vezes mais calor que o gás dióxido de carbono. O gás metano é produzido por bactérias associadas ao intestino das baratas. Proporcionalmente, a sua massa, as baratas podem emitir mais gás metano do que animais maiores, como os bois.

 

As baratas podem sobreviver sem a cabeça?

 

Verdade parcial. Quando uma barata é decapitada, ela pode sobreviver alguns dias sem cabeça, mas, depois morrem. Os insetos possuem um sistema circulatório aberto, portanto, de baixa pressão, minimizando a perda de hemolinfa ("sangue" sem função respiratória) que distribui nutrientes e coleta as excretas celulares. Sobrevivem, pois, possuem um sistema nervoso ganglionar, constituído por dois gânglios principais, localizados na cabeça e por vários pares de gânglios nervosos secundários, localizados em vários segmentos do corpo. Estes gânglios secundários são capazes de coordenar os movimentos das patas e a atividade dos órgãos, permitindo que as baratas sobrevivam, se locomovam, porém, a ausência dos gânglios principais, impedem um movimento coordenado com a visão, gustação e olfato, impedindo que as baratos detectem a presença de alimentos e predadores, deixando-as desnutridas e vulneráveis. Elas podem sobreviver, enquanto, durarem suas reservas energéticas de glicogênio e de lipídios.

 

As baratas são resistentes a radiação de bombas nucleares?

 

Verdade parcial. A radiação nuclear afeta o DNA de qualquer ser vivo, provocando danos chamados mutações, geralmente prejudiciais aos organismos, tendo grande chance de provocar tumores fatais. Quando submetidas a altos níveis de radiação, semelhantes as liberadas por bombas nucleares, as baratas sobrevivem longos períodos, muito mais que outros seres vivos. Uma explicação possível, é que suas células se dividam mais devagar, lentificando a formação de tumores.