O que é quimerismo?

 

Na mitologia grega, a quimera era um mostro mitológico, geralmente, descrito como possuidor de três cabeças, uma de leão, um de cabra e outra de dragão, além de possuir uma cauda em forma uma serpente.  O fato do corpo da quimera ser formado por diferentes formas vida, inspirou a criação de um termo médico, o quimerismo, usado quando em um corpo há células ou órgãos de dois organismos.

 

O termo quimerismo começou a ser utilizado com o início da prática dos transplantes de órgãos, onde um receptor recebia órgãos de um doador. O quimerismo não é uma mera curiosidade médica, mas sim um quadro clínico, as vezes de consequências graves. A introdução de células com um DNA estranho leva a síntese de proteínas diferentes, que podem ser consideradas como algo estranho ao corpo, um antígeno, capaz de desencadear uma resposta imunológica, a produção de anticorpo específicos contra o antígeno. É o processo de rejeição, que exige uma imunossupressão do organismo receptor, afim de que o órgão transplantado não seja atacado pelo sistema imunológico do organismo receptor. Transplantes de medula óssea vermelha e transfusões sanguíneas inadequadas também são consideradas casos de quimerismo.

 

Mas nem sempre o quimerismo é um processo artificial e intencional. Ele pode ocorrer de forma natural, como por exemplo, durante uma gravidez, quando células fetais podem penetrar na corrente sanguínea materna, ou vice-versa, desencadeando respostas imunológicas perigosas. Ou quando ocorre a fusão de embriões (gêmeos dizigóticos), ou seja, aqueles resultantes do desenvolvimento de dois zigotos, em uma só massa embrionária híbrida formando um único indivíduo, com dois genomas diferentes. Muitas vezes o processo passa desapercebido no fenótipo do híbrido,  mas as vezes, produz algumas anormalidades perceptíveis, como olhos de cores diferentes. Mas se os embriões forem de sexos diferentes, poderá formar um hermafrodita quimérico, possuidor das duas gônadas, testículo e ovário ou somente uma, produzindo tanto os gametas masculinos como femininos. Os hermafroditas quiméricos, também podem apresentar uma genitália ambígua. Do ponto de vista cromossômico, algumas células serão XX (sexo feminino) e outras XY (sexo masculino).

 

Além do interesse médico, o quimerismo tem despertado o interesse de investigadores forenses, que cada vez mais utilizam técnicas de comparação de DNAs para elucidar crimes. Um indivíduo que possui dois genomas diferentes pode confundir uma investigação criminosa e ser inocentado de um crime que cometeu.

 

Prof. Marco Nunes

Editor do  Nerd Cursos - Biologia

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Vitória da Conquista - Bahia - Brasil

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