QUANTO TEMPO VIVE UMA ABELHA?

 

As abelhas são um grupo de insetos bastante diverso, existindo muitas espécies e a expectativa de vida delas é variável. Em Apis mellifera, a abelha europeia, a expectativa de vida depende da classe. Nas operárias, cerca de 40 dias no verão a 150 dias no inverno. Nos zangões, cerca de 50 dias. Na rainha de 2 até 5 anos.

 

Mas, por que tanta diferença?

 

Os zangões nascem de óvulos não fecundados, um processo chamado partenogênese e, em 24 dias passam pelos estágios de larva, pupa e chegam a forma adulta. Nos próximos 26 dias serão alimentados pelas abelhas operárias, aguardando o momento de copular com a rainha, morrendo imediatamente após a cópula. Os zangões que não conseguem copular, são mortos ou expulsos da colmeia, o que na prática, também significa a morte, pois, os zangões não conseguem se nutrir sozinhos.

 

Se os óvulos da rainha forem fecundados pelos espermatozoides dos zangões formaram ovos, que dão origem, obrigatoriamente, a fêmeas. A evolução para o estágio adulto dura cerca de 21 dias.

 

Se as larvas fêmeas forem alimentadas principalmente com mel, a abelha adulta será uma operária, uma abelha estéril dedicada à construção da colmeia, coleta de água, alimentação das larvas, zangões e rainha, coleta de pólen e néctar e proteção da colmeia. Durante o verão, época de maior disponibilidade de alimento para ser coletado e, portanto, mais trabalho para as operárias, a rotina estressante diminui muito sua expectativa de vida. Durante o inverno, menos atarefadas, vivem mais.

 

Já, a rainha, desde o estágio larval recebe um alimento diferenciado, a geleia real. Este alimento, induz ao amadurecimento dos órgãos reprodutivos, sendo a rainha a única fêmea fértil na colmeia. Além da reprodução, a rainha produz ferormônios, que controlam as atividades das outras abelhas. No mais, são amparadas pelas operárias para alimentação, limpeza do corpo, hidratação e cuidado dos filhotes.

 

Embora, parasitas e condições climáticas, possam interferir na expectativa de vida das abelhas, a carga de trabalho (estresse) e o tipo de alimento que consomem, são determinantes na duração da sua vida. Substâncias produzidas durante o estresse e presentes nos alimentos, provavelmente, agem nos genes do DNA das abelhas, regulando o seu funcionamento, interferindo, por exemplo, na capacidade de reparo do DNA celular e, consequentemente, na capacidade de produzir proteínas que regulam o funcionamento celular, interferindo na longevidade das fêmeas (DNA->RNAm->Proteína).  

 

A influência ambiental sobre o funcionamento dos genes é estudada por um ramo da biologia chamada epigenética. E, este caso das abelhas, é um bom exemplo, de como seu estudo pode permitir o entendimento do processo de envelhecimento e morte, inclusive em outras espécies, como, na humana.

 

Se quiser aprofundar na vida das abelhas ouça um podcast sobre o assunto.