Prof. Marco Nunes

Editor do  Nerd Cursos - Biologia

Um portal de materiais de estudos para o Enem e vestibulares

Vitória da Conquista - Bahia - Brasil

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ROTEIRO DO PODCAST

2 – Quando três não foi demais

 

Caros estudantes e professores, sou o professor Marco Nunes e este é o podcast semanal do Nerd Cursos, um portal gratuito de materiais de apoio ao estudo para o Enem e vestibulares.

O podcast desta semana é biológico, em setembro de 2016, foi divulgado com destaque na grande mídia, uma revolucionária técnica de reprodução assistida que ajuda mulheres com doenças genéticas mitocondriais a terem filhos saudáveis, o fato ficou conhecido como o bebê de “três pais”.

 

Vamos a notícia, embalados pelos Paralamas do Sucesso com a música Pequeno Imprevisto.

 

De acordo com a revista de divulgação científica norte americana News Scientist, um casal jordaniano que já tinha passado por quatro abortos e perdido dois filhos, alguns meses após o nascimento, recorreu a uma nova técnica de reprodução assistida, realizado no México, por médicos americanos e tiveram um terceiro filho, que estava com 5 meses, no momento do anuncio e, parecia ser saudável.

 

No caso noticiado, a mulher jordaniana era portadora de uma doença genética rara, a síndrome de Leigh, também chamada de encefalopatia progressiva. A doença é causada por alterações genéticas no DNA de organelas celulares chamadas mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia nas células. Nas células da jordaniana um quarto das mitocôndrias eram defeituosas, inclusive as em seus “óvulos”.

 

A síndrome Leigh geralmente começa a manifestar sintomas nos primeiros dois anos após o nascimento e a sobrevivência em média é de um ano após o início dos sintomas. A doença afeta o cérebro, os músculos, os nervos, os olhos e o coração, além de causar vários desequilíbrios metabólicos.

 

Na fecundação de um “óvulo” pelo espermatozóide, o gameta masculino não contribui com mitocôndrias, ou seja, em uma célula-ovo, após a fecundação, as mitocôndrias são de origem materna e, por isto, as células de seus filhos herdavam a anomalia genética e as crianças morriam.

 

Para entender a técnica dos “três pais” vou narrar um breve roteiro, ao fundo outra dos Paralamas, A Novidade.

 

1- A técnica envolveu a participação de 3 pessoas, o casal jordaniano e uma outra mulher, considerada uma mulher doadora.

 

2 – As mulheres tiveram alguns de seus “óvulos” extraídos de seus ovários e em tubo de ensaio os “óvulos” foram fecundados pelo espermatozoide do homem jordaniano.

 

3 – Após a fecundação, os “óvulos” das duas mulheres se transformaram em células-ovo e tiveram seus núcleos retirados dos citoplasmas.

 

4 – O núcleo da célula-ovo da mulher doadora foi descartado, não sendo mais utilizado, restando um citoplasma sem núcleo.

 

5 – O núcleo da célula-ovo da mulher jordaniana foi transferido para o citoplasma da célula-ovo da mulher doadora. Neste processo, teve se a preocupação de não transferir mitocôndrias defeituosas da jordaniana para a célula-ovo da doadora que, possuía mitocôndrias saudáveis.

 

6 – Em um tubo de ensaio a célula-ovo entrou em desenvolvimento embrionário e quando atingiu o estado de blastocisto, o embrião foi implantado no útero da mulher jordaniana. Nove meses depois, nasceu um menino, que até os cinco meses de idade não possuía sinais da síndrome de Leigh.  Sem este procedimento, provavelmente, o terceiro filho do casal teria o mesmo destino dos dois primeiros, a morte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Muitas dúvidas na cabeça? Eu fiquei e fui atrás de resolve-las.

 

Vamos em frente escutando o interrogativo Arnaldo Antunes, ex vocalista da banda Titãs em O que Swingnifca Isso?

 

1. A criança tem material genético dos “três pais?

Sim. Herdou genes cromossomais do homem e mulher jordanianos e genes mitocondriais da doadora.

 

2. Qual dos “três pais” contribui com mais material genético do bebê?

O casal jordaniano. Mais de 99 % dos genes são do casal, em partes iguais.

 

3. A criança nasceu com características da doadora?

Não e sim. Os cromossomos presentes nos núcleos celulares do bebê possuem aproximadamente 20.000 genes, responsáveis pela determinação da maioria das características do bebê. O DNA das mitocôndrias possui somente 37 genes. Os genes mitocondriais possuem informações para a produção de enzimas que mantém o funcionamento mitocondrial, não interferindo, pelo que se sabe até o momento, em outras características.

 

4. O procedimento é seguro?

Não se sabe, pois foi o primeiro a ser realizado. Após 5 meses do nascimento a criança não aparentava ter problemas de saúde. A dúvida que se tem é que, devido imperfeições da técnica algumas mitocôndrias defeituosas da célula-ovo da mãe tenham sido transferidas para a célula-ovo da mulher doadora, formando uma mistura de mitocôndrias das duas mulheres nas células do bebê. As mitocôndrias têm capacidade de formar outras mitocôndrias, e caso, as mitocôndrias defeituosas formem mais mitocôndrias que as saudáveis, a criança pode manifestar sintomas da síndrome no futuro. 

 

5. O procedimento é legalizado?

Depende do país. No Reino Unido, em casos específicos e devidamente autorizados é possível fazer o procedimento, mas até setembro de 2016, nenhum tinha sido feito. Nos Estados Unidos, o procedimento está sendo analisado. Na maioria dos países, não foi legalmente autorizado, mas também não foi proibido, por isso os médicos americanos fizeram o procedimento no México. O Brasil está na mesma situação mexicana.

 

6. A técnica dos “três pais” já foi realizada outras vezes?

Na forma anunciada, não. Mas, um outro procedimento semelhante, chamado rejuvenescimento de “óvulos” já foi realizado muitas vezes. Neste procedimento, o citoplasma de um “óvulo” de uma mulher jovem é transferido para o citoplasma de “óvulos” de mulheres de idade avançada, que apresentam dificuldade de engravidar nos processos de reprodução assistida convencionais.

 

7. Há oposição a técnica dos “três pais”?

Sim. Há pessoas que baseadas no senso comum não são simpáticas a ideia de uma criança ter “três pais”. Há pessoas que acham que o DNA mitocondrial possa moldar características importantes da criança, como personalidade, embora, se saiba que a quantidade de DNA mitocondrial é ínfima em relação a de DNA cromossomal e que o DNA mitocondrial regule o funcionamento específico das mitocôndrias. Alguns médicos argumentam que a técnica é de pouca ajuda, pois as doenças mitocondriais raramente são diagnosticadas antes do nascimento e que os pais que tem a doença diagnosticada poderiam recorrer a uma célula-ovo não modificada de uma doadora para a implantação no útero. Alguns especialistas têm preocupações que as crianças nascidas deste procedimento possam manifestar as doenças mitocondriais na fase adulta, e caso se reproduzam, poderiam transmitir as doenças genéticas mitocondriais a seus filhos, propagando a anomalia genética pela população humana.

 

O podcast acaba por aqui, mas nossa interação pode continuar em www.nerdcursos.com.br/podcasts. Lá você pode ler o roteiro do programa, ver os esquemas de estudo, alimentar o podcast com dúvidas e comentários que podem dar origem a outros programas.

 

Participaram deste episódio: na abertura Chavala Talhada com Tô Numa Nice, durante o programa Os Paralamas do Sucesso, Arnaldo Antunes e eu prof. Marco Nunes que estou sempre gestando ideias na minha cabeça.

 

E para terminar uma citação de Buda:

 

” O conflito não é entre o bem e o mal, mas entre o conhecimento e a ignorância.

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