Prof. Marco Nunes

Editor do  Nerd Cursos - Biologia

Um portal de materiais de estudos para o Enem e vestibulares

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ROTEIRO DO PODCAST

6 – A biologia do Aedes aegypti

 

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Olá estudantes e professores! Sou o professor Marco Nunes e este é o podcast semanal do Nerd Cursos, um portal gratuito de materiais de apoio ao estudo para o Enem e vestibulares.

O tema deste podcast é biológico, tratarei sobre o mosquito Aedes aegypti, o vetor de várias doenças, entre elas a dengue.

 

Ao som do Olodum, vamos a um breve histórico.

 

O mosquito da dengue é natural da África. Foi descrito em 1792, no Egito e recebeu o nome de Culex aegypti. Em 1818, foi transferido para gênero Aedes, sendo chamado Aedes aegypti, que significa o “odioso do Egito”.

 

No século XVI, se espalhou de forma passiva por navios negreiros para a América e Ásia, se adaptando bem em regiões tropicais e subtropicais, devido ao clima quente e úmido, que é o ideal para seu desenvolvimento.

As primeiras referências no Brasil, são do período colonial. São evidencias indiretas, relacionadas com os casos de febre amarela. No final do século XIX, foram registrados os primeiros casos de Dengue em Curitiba. No começo do século XX, após a confirmação que a febre amarela era transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, medidas específicas foram tomadas. Tinha início as brigadas sanitárias, chefiadas pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz. Nas brigadas, agentes sanitários munidos de larvicida, eliminavam os focos do mosquito e isolavam os doentes. Na década de 50, usando o inseticida DDT, o mosquito foi eliminado do Brasil. Na década de 60, reapareceu, sendo erradicado novamente nos anos 70. Na década de 80, retornou e hoje é encontrado em todo o território, especialmente nas áreas urbanas. A febre amarela urbana foi erradicada no Brasil, mas a partir da década de 80 a dengue tornou-se um sério problema de saúde.

 

Sinal de início da aula

 

Vamos conhecer um pouco mais sobre o mosquito. Ao fundo você ouve A Dengosa, com Caminhos do Choro.

 

Os mosquitos surgiram no período Jurássico, e andaram a sugar o sangue dos dinossauros. Do ponto de vista zoológico, o Aedes aegypti está classificado no Reino Animalia, no Filo Arthropoda, na Classe Insecta, na Ordem Diptera, na família Culicidae, no gênero Aedes. Eles são considerados dípteros, pois, possuem um par de asas, como as moscas. São pequenos, em média medem meio centímetro. O corpo é preto com listas brancas. Possuem peças bucais alongadas, chamadas estiletes, adaptadas a picar e sugar alimentos líquidos, especialmente a seiva vegetal e o néctar das frutas.

As fêmeas e machos acasalam uma única vez. Após fecundadas, as fêmeas, passam a sugar o sangue de vertebrados, especialmente do homem, obtendo proteínas e energia para o amadurecimento dos ovos. Voando a baixa altitude, picam nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte. Durante as horas mais quentes do dia, podem buscar abrigo no interior de móveis e atrás de cortinas. Dentro das casas, podem picar durante o dia todo. Uma curiosidade, a cada picada, a fêmea pode sugar até duas vezes seu peso em sangue. Bem nutridas, procuram por até 3 km por um criadouro para a postura de seus ovos. Os criadouros naturais são partes ocas de árvores e folhas de bromélias, que podem acumular água. Os artificiais são calhas de telhado, ralos de água, lixeiras, garrafas vazias, piscinas abandonadas, embalagens plásticas, pratos de vasos de plantas e pneus abandonados, entre muitos outros criadouros abundantes em áreas urbanas. Durante a vida adulta, a fêmea pode parir várias vezes pequenos grupos de 40 ovos, totalizando aproximadamente 1500 ovos. Os ovos são colocados próximo da superfície da água e nas bordas internas dos criadouros, mesmo que estejam secos. O ciclo de vida do mosquito é composto por quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto. Os ovos, são resistentes, podem se manter viáveis por meses, sem contato com a água. Trinta minutos após serem hidratados, as larvas nascem e alguns dias depois, tornam-se pupas. As Larvas e pupas se desenvolvendo por sete dias em água “limpa” com pouca matéria orgânica, se alimentando de microrganismos. Os adultos voadores, vivem por 30 dias. Como as larvas e pupas são muito diferentes dos adultos, o mosquito Aedes é considerado um inseto holometábolo, isto é, com metamorfose completa.

 

O controle populacional dos Aedes é emergencial, pois ele é o vetor de transmissão de vários vírus para humanos, como os da dengue, febre amarela, Zica e Chikungunya. Esses vírus são da família Flavivírus. Os Flavivírus são vírus de RNA, revestidos por uma cápsula proteica. São considerados arborivírus, pois são transmitidos por insetos ou outros artrópodes.

 

Existem 4 variedades de vírus da dengue, os tipos 1, 2, 3 e 4 que podem causar duas formas de dengue, a clássica e a hemorrágica. Na forma clássica, ocorre febre, mal-estar, dor de cabeça, dor ou irritação dos olhos, dor nas articulações e dores musculares e nas costas. Pode aparecer uma vermelhidão na pele, acompanhado de inchaço dos gânglios linfáticos. Os sintomas duram em torno de uma semana. O diagnóstico, é feito por um exame de sangue, que identifica a presença de anticorpos específicos produzidos pelo sistema imunológico do doente. Quando uma pessoa se contamina outra vez, com um outro tipo de vírus da dengue, ela pode desenvolver a forma hemorrágica, muito mais grave, pois reduz o número de plaquetas, causando hemorragias, às vezes fatais. Com a disseminação do mosquito, há um risco maior da pessoa se infectar por mais de um tipo de vírus e desenvolver a dengue hemorrágica.

 

Os mosquitos nascem sem os vírus, adquirindo-os ao sugar o sangue de uma pessoa ou animal infectado. Nos mosquitos, os vírus se alojam nas glândulas salivares e são transmitidos no momento da picada, pois é injetado um pouco de saliva com substâncias analgésicas e anticoagulantes, que permitem ao mosquito, sugar um maior volume de sangue sem ser detectado.

 

Você escuta agora, Dengosa, uma marchinha do cantor Thiago Miranda.

 

Para não ficar doente é essencial evitar e combater o mosquito. Uso de repelentes é recomendado. No passado, o uso de inseticidas se mostrou eficaz no combate, mas isto mudou, pois, muitas populações de mosquitos estão resistentes. O que ocorreu foi um processo de seleção natural, onde o inseticida matou os mosquitos sensíveis, deixando os resistentes.

 

Uma das formas mais eficientes de prevenção é dificultar a reprodução do mosquito, eliminando os criadouros. Campanhas educativas orientando a população a dar destino apropriado ao lixo sólido é uma medida essencial.

 

Os órgãos de vigilância epidemiológica devem realizar o monitoramento constante da quantidade de focos dos mosquitos e de pessoas doentes. Quando os casos forem significativos em uma área, deve -se aumentar o combate na região.

Novas metodologias de prevenção tem sido implementada recentemente. Fêmeas do mosquito estão sendo expostas a uma bactéria que diminui a possibilidade de serem parasitadas pelos vírus da dengue, chikungunya e Zica. A bactéria é transmitida aos mosquitos filhos, por isto, sendo interessante na prevenção de novos casos. Outra abordagem é a criação e soltura de mosquitos machos geneticamente modificados para serem estéreis. A liberação de grandes quantidades deste mosquito geraria uma competição pelas fêmeas, entre os machos selvagens e os modificados, diminuindo o nascimento de novos mosquitos.

 

Mas a principal medida preventiva a dengue tornou-se realidade neste ano, 2016. Uma vacina, recentemente liberada para uso no Brasil. para pessoas entre 9 e 45 anos. A vacina possui vírus vivos atenuados do tipo 1, 2, 3 e 4 que estimulam a produção de anticorpos específicos contra os quatro tipos de vírus da dengue. A vacina fez parte do calendário de vacinação pública pela primeira vez no estado do Paraná, e deverá ser estendida para os outros estados. Esta vacina não protege as pessoas contra os vírus Zika e Chikungunya, então o combate ao mosquito não deve ser relaxado.

 

O podcast acaba por aqui, mas nossa interação pode continuar em www.nerdcursos.com.br/podcasts. Lá você pode ler o roteiro do programa, ver imagens, acessar links e alimentar o podcast com dúvidas e comentários que podem dar origem a outros programas.

 

Participaram deste episódio: na abertura, Michael Jackson com The way you make me feel, durante o episódio, Olodum, Caminhos do Choro, Thiago Miranda e eu, o professor Marco Nunes, zunindo nos seus ouvidos meus podcasts cheios de conteúdos que irão estar nas provas do Enem e dos vestibulares.

 

Sinal de final da aula

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