Prof. Marco Nunes

Editor do  Nerd Cursos - Biologia

Um portal de materiais de estudos para o Enem e vestibulares

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ROTEIRO DO PODCAST

11 – Biomas Brasileiros: O Cerrado

 

Música de Abertura: Robin Thicke - Blurred Lines com T.I. e Pharrell Willians.

 

Olá estudantes! Sou o professor Marco Nunes e este é o podcast semanal do Nerd Cursos, um portal gratuito de materiais de apoio ao estudo para o Enem e vestibulares. O tema deste podcast é ecológico, e um pouco literário, geográfico e histórico. É sobre o Cerrado.

 

Mas antes de viajar pelo Cerrado, vou definir o que é um Bioma. Você ouve, Tema da Partida de Marcus Viana.

 

Bioma é uma grande área com características semelhantes quanto a vegetação, clima e solo. São importantes para a manutenção global da vida, regulação do clima local e global. A Tundra, Taiga, Florestas Tropicais, Temperadas e de Coníferas, Desertos, Savanas e Pradarias, são exemplos de biomas terrestres globais. Cada bioma, engloba biomas menores. A Savana, por exemplo, inclui a Savana africana, australiana e brasileira, ou seja, o Cerrado. Além do Cerrado, a Amazônia, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, são os seis biomas brasileiros.

 

Sinal de início da aula.

 

Vamos aprofundar o assunto, ouvindo Luar do Sertão na viola de Heraldo Monte.

 

O Cerrado é uma Savana, bioma caracterizado pelo relevo plano, vegetação representada por gramíneas, arbustos, árvores esparsas e clima tropical, apresenta duas estações bem definidas, uma chuvosa e outra muito seca.

 

O Cerrado ocupa 22% do Brasil. É o segundo maior bioma, atrás do amazônico. O núcleo do bioma, está no centro-oeste, em Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Sul do Mato Grosso, Distrito Federal, sudeste de Minas Gerais e oeste da Bahia. Mas, ocorre também no Maranhão, Pará, Piauí, Rondônia, Amapá, São Paulo e Paraná.

 

O Cerrado é um mosaico de formações vegetais, adaptadas a diferenças de profundidade, umidade, fertilidade e acidez do solo.

 

Nas pesquisas para este episódio, encontrei uma descrição do Cerrado, feita por João Guimarães Rosa, em uma carta ao tradutor italiano do livro Grande Sertões: Veredas.

 

Vamos a ela: “O que caracteriza esses GERAIS são as chapadas [...] e os chapadões [...] São de terra péssima, vários tipos sobrepostos de arenito, infértil. [...] E tão poroso, que, quando bate chuva, não se forma lama, nem se vêem enxurradas, a água se infiltra, rápida, sem deixar vestígios [...) A vegetação [...] arvorezinhas tortas, baixas, enfezadas (só persistem porque teem longuíssimas raízes verticais, pivotantes, que mergulham a incríveis profundidades). E o capim, ali, é áspero, de péssima qualidade [...] Árvores, arbustos e má relva, são nas chapadas, de um verde comum, feio, monótono.”

 

A terra é infértil, pois é pobre em nutrientes, pois a decomposição dos restos vegetais é lenta, consequência do clima seco e do solo ácido. As plantas são baixas e tortuosas, pela ação do fogo e do alumínio que limita o seu crescimento. O solo profundo e poroso, absorve rapidamente a água alimentando lençóis freáticos e aquíferos, como o Guarani, Bambuí e Urucuia, tornando o Cerrado o berço de rios, como o Araguaia, Tocantins, São Francisco, Paraná e alguns afluentes do rio Amazonas. A vegetação, é adaptada a captar água no solo profundo, graças as raízes profundas, muitas vezes, maiores do que as copas, um tipo de floresta subterrânea, chamada de floresta invertida. A vegetação é feia, pelo seu porte, aspecto tortuoso e cascas grossas, o súber, um tecido vegetal impermeabilizante e isolante térmico, que protege as plantas durante incêndios, que são comuns na estação mais seca. O fogo limpa o solo, acelerando a decomposição vegetal, favorecendo as gramíneas, que após uma queimada, se recuperam rapidamente, nutrindo os animais. Árvores e arbustos também se beneficiam, pois, muitas sementes só germinam após um incêndio.

 

Em outro trecho, Guimarães Rosa, destaca as veredas. Vamos ao relato: “ [...] entre as chapadas, separando-as (ou, às vezes, mesmo no alto, em depressões no meio das chapadas) há as veredas. São vales de chão argiloso, onde aflora a água absorvida. Nas veredas há sempre o buriti. De longe a gente avista os buritis, e já sabe: lá se encontra água. A vereda é um oásis. Em relação às chapadas, elas são [...] de belo verde-claro, aprazível, macio. O capim é verdinho-claro, bom. As veredas são férteis. Cheias de animais, de pássaros. ”

 

No mosaico de paisagens do Cerrado, há ainda, as margens de rios e riachos com solo encharcado onde existe uma vegetação fechada, a floresta de galeria. Onde o solo é raso e pobre em nutrientes, ocorre vegetação herbácea.

 

Você escuta Max Rosa em Grandes Sertões Veredas.

 

A presença humana no Cerrado data de 10.000 anos, conforme ossadas encontradas em lagoa Santa. Na época da descoberta do Brasil, era ocupado por índios. Apesar, de estar localizado em grande parte em território espanhol, a oeste da linha de Tordesilhas, foi ocupado, principalmente, por portugueses. Por muito tempo, o Cerrado foi chamado genericamente de sertão. A ocupação começou no século XVII, com os Bandeirantes paulistas a procura de índios para a captura, metais preciosos e comércio, chegando até Cuiabá. Desenvolveu-se a criação de gado. No começo do século XVIII, a descoberta de ouro, na região de Cuiabá e depois na de Goiás, atraiu muitas pessoas e a formou-se povoados. O ciclo do ouro foi curto e, a população, migrou para outras regiões. Isolado, o sertão serviu de esconderijo para escravos em quilombos. As dificuldades ambientais, as grandes distâncias e o pequeno dinamismo da economia, contribuíram para que o Cerrado chegasse ao século XX ruralizado e pouco impactado.

 

Você ouve, Deus e Eu no Sertão com Sergio Reis e Renato Teixeira.

 

Mas a partir da década de 60, a ocupação humana cresceu, motivada pela construção de uma malha rodoviária ligada a Brasília e pelo Programa de Desenvolvimento do Centro-Oeste, o Polocentro, que ofereceu incentivos fiscais para abertura de novas áreas agrícolas. O cerrado infértil, seco, ácido, com agricultura de subsistência e pecuária atrasada sofreu uma mudança radical. No embalo da revolução verde, que mudava o a agricultura mundial, ocorreu a criação da Embrapa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. A Embrapa desenvolvendo técnicas de correção do pH, adubação e irrigação do solo, melhoramento genético da soja, trigo e milho, adaptando-as a mecanização, tornando o Cerrado muito produtivo, fazendo do Brasil um grande produtor de grãos. Houve substituição das pastagens naturais, por espécies mais produtivas, melhoramento genético do gado e melhora do manejo. Hoje, a maior parte do rebanho brasileiro está no Cerrado.

 

Do ponto de vista econômico, o Cerrado é um sucesso, mas do ambiental, uma tragédia. Mais de 50% foi alterado. Menos de 5% está protegido em Unidades de Conservação, o que justifica o título de segundo bioma mais ameaçado do Brasil, atrás da Mata Atlântica.

 

A degradação do Cerrado é preocupante. Ele é um hotspot de biodiversidade, onde, vivem 1/3 da biodiversidade brasileira e 5% da mundial. A alta biodiversidade ocorre pelo fato da extensa fronteira com outros biomas, como o amazônico, o pantanal, a caatinga e a mata atlântica, sendo estas áreas considerados ecótonos. Os ecótonos, são transições entre biomas e possuem espécies dos diferentes biomas e muitas vezes, espécies endêmicas, ou seja, que ocorrem em áreas específicas.

 

O Cerrado é um sumidouro de carbono, pois, acumula muita biomassa na parte subterrânea. Com a retirada da vegetação natural, a parte subterrânea é decomposta e libera dióxido de carbono, alterando o clima.

 

No Cerrado, nascem as principais bacias hidrográficas e aquíferos do brasil. O desmatamento interfere, na drenagem do solo, o que afeta a dinâmica das águas.

 

Apesar da importância, o Cerrado é o bioma mais abandonado do Brasil, sendo uma área de exploração de certa forma desordenada, que não conta com programas governamentais de desenvolvimento sustentável e de conservação bem desenvolvidos. O Cerrado some rapidamente, e certamente sentiremos os impactos da sua destruição em um futuro, não muito distante.

 

Ao som da moda de viola Chapadão, do cantor Goia, o podcast acaba por aqui, mas nossa interação pode continuar em www.nerdcursos.com.br/podcasts. Lá você pode ler o roteiro do programa, acessar links e alimentar o podcast com dúvidas e comentários, que podem dar origem a outros programas.

 

Participaram deste episódio: na abertura, Robin Thicke, T.I. e Pharrell Willians com Blurred Lines, durante o episódio Marcus Viana, Heraldo Monte, Max Rosa, Victor & Leo, Goia, e eu, o professor Marco Nunes, discutindo os assuntos mais frequentes no Enem e vestibulares.

 

E para terminar uma frase do escritor João Guimarães Rosa:

 

“As coisas mudam no devagar depressa dos tempos. ”

 

Sinal de final da aula

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